A água da fonte, altaneia
querendo dançar com a chuva que
cai
imagens na irrelevante janela de um veículo qualquer
Porcarias de minha lavra e pérolas da lavra alheia. Quando tem tradução, é minha a não ser quando indicado.
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Monday, December 21, 2015
Wednesday, November 13, 2013
Vira latas
Empurro-puxando seu enorme carro,
um velho sobe uma íngreme ladeira.
Vai lhe seguindo macérrimo cachorro
no altocéu lá de muitoacima, agora
mal desponta a roseodáctila aurora
seus calos se apertam uns nos outros
escaras ziguezagueiam por seu corpo
seu sorriso é o beatífico dos loucos
bebe cachaça sem precisão de copo.
O cão lhe parece, tão velho quanto
com seus olhos fixos, grandes e azuis
denso de pulga, mosquito e carrapato;
na sua boca, menos dente do que pus.
Sobem a ladeira, pela ladeira somem
e os que olham, logo logo esquecem.
um velho sobe uma íngreme ladeira.
Vai lhe seguindo macérrimo cachorro
no altocéu lá de muitoacima, agora
mal desponta a roseodáctila aurora
seus calos se apertam uns nos outros
escaras ziguezagueiam por seu corpo
seu sorriso é o beatífico dos loucos
bebe cachaça sem precisão de copo.
O cão lhe parece, tão velho quanto
com seus olhos fixos, grandes e azuis
denso de pulga, mosquito e carrapato;
na sua boca, menos dente do que pus.
Sobem a ladeira, pela ladeira somem
e os que olham, logo logo esquecem.
Tuesday, March 29, 2011
Erro
Um erro é tua existência física
Muito belo e magnânimo e gentil.
É que, feita no molde de átomos,
de moléculas e sutilíssima luz
não pode ela acompanhar a poética
de velhos e apropriados clichês.
Tua pele deveria ter a pura alvura
(em verso interior-rimado adequado)
condizente com a espuma marinha de
que deverias ter nascido, ao invés
de tê-lo feito, suja e chorando
dum mui humano e impoético ventre.
Erro, repito, é a cor assim mutável
da tua pele, resistente a qualquer métrica
ou tentativa de pobre rima, aliteração,
prosódia, da minha tosquiada imaginação.
Erradas todas as tuas formas, que só posso
admirar sem descrever, pois que mais belas
e sólidas, e reais
que a lira do poetastro.
Muito belo e magnânimo e gentil.
É que, feita no molde de átomos,
de moléculas e sutilíssima luz
não pode ela acompanhar a poética
de velhos e apropriados clichês.
Tua pele deveria ter a pura alvura
(em verso interior-rimado adequado)
condizente com a espuma marinha de
que deverias ter nascido, ao invés
de tê-lo feito, suja e chorando
dum mui humano e impoético ventre.
Erro, repito, é a cor assim mutável
da tua pele, resistente a qualquer métrica
ou tentativa de pobre rima, aliteração,
prosódia, da minha tosquiada imaginação.
Erradas todas as tuas formas, que só posso
admirar sem descrever, pois que mais belas
e sólidas, e reais
que a lira do poetastro.
Monday, March 28, 2011
Carne
Mordo o livro
sinto invadir minha boca
o cheiro acre de sangue
mordo
de novo, com força
até que arranco um naco
de carne do livro
(livro ou mulher, não sei)
de quatro, como um cão
esfrego o focinho no cadáver
- o que tenho é focinho, não rosto
não sei de que cadáver se trata
insensato, como um cão.
sinto invadir minha boca
o cheiro acre de sangue
mordo
de novo, com força
até que arranco um naco
de carne do livro
(livro ou mulher, não sei)
de quatro, como um cão
esfrego o focinho no cadáver
- o que tenho é focinho, não rosto
não sei de que cadáver se trata
insensato, como um cão.
Tuesday, March 22, 2011
Maresia
Dizem aqueles, que disso entendem
Que o cheiro do mar é o cheiro da morte
De um milhão de pequenas mortes
Das pequenas coisas que morrem na espuma
São coisas do mar, morrendo na terra?
São coisas da terra, afogadas no mar?
Não sei, confesso - minha ignorância
É vasta e profunda como o imenso mar
Não sei, repito e repito. Mas meus
Ossos, tão mais sábios e velhos do que eu
Percebem a morte que habita esse cheiro
E sonham com uma morte de marinheiro.
Que o cheiro do mar é o cheiro da morte
De um milhão de pequenas mortes
Das pequenas coisas que morrem na espuma
São coisas do mar, morrendo na terra?
São coisas da terra, afogadas no mar?
Não sei, confesso - minha ignorância
É vasta e profunda como o imenso mar
Não sei, repito e repito. Mas meus
Ossos, tão mais sábios e velhos do que eu
Percebem a morte que habita esse cheiro
E sonham com uma morte de marinheiro.
Tuesday, March 15, 2011
Entrevisões
Tua leveza é tão grande e imensa
Que dela só se vê vislumbres
Nacos de teu tempo e presença
Segundos que mais parecem meses
Ali um dorso, que se arqueia
Aqui uma perna, que se alonga
A sombra de um seio, se beija
Uma boca que em riso se prolonga
Olhos, enjanelando tua risada
De cor a um tempo límpida e exótica
Um nariz comprido, nenhuma papada
E dentes que mordem em tua boca
Qual um sonho de desejo e força
Ou peças espalhadas de um quebra-cabeça
Que dela só se vê vislumbres
Nacos de teu tempo e presença
Segundos que mais parecem meses
Ali um dorso, que se arqueia
Aqui uma perna, que se alonga
A sombra de um seio, se beija
Uma boca que em riso se prolonga
Olhos, enjanelando tua risada
De cor a um tempo límpida e exótica
Um nariz comprido, nenhuma papada
E dentes que mordem em tua boca
Qual um sonho de desejo e força
Ou peças espalhadas de um quebra-cabeça
Monday, February 28, 2011
Traduzindo Ondaatje
Se eu por ofício colhesse canela
andaria por tua cama.
E deixaria em teu travesseiro
o pó amarelo da casca.
E o odor em teus ombros, seios
te impediria de andar pela feira
sem que minha profissão de dedos
flutuasse sobre ti. Até os cegos
tropeçariam certos de a quem se dirigiam
mesmo que te banhasses
sob calhas, sob monções.
Aqui, acima da coxa
na paragem macia
junto a teu cabelo;
no vinco das tuas
costas. Este tornozelo.
Serás conhecida pelos outros como
a mulher do colhedor de canela.
Te olhar, só de soslaio
antes do casamento
e nunca te tocar
- tua mãe tem olfato apurado, teus irmãos são duros.
Mergulhei minhas mãos
em açafrão, as disfarcei
sobre alcatrão, e ajudei
os colhedores de mel.
Uma vez, nadando
pude te tocar sob a água
sem que nossos corpos se marcassem,
poderias me abraçar se mantendo cega ao cheiro.
- subiste ao seco dizendo
assim é como você toca às outras,
à mulher do meeiro. À filha do caiador.
E procuraste em teus braços
Pelo ausente perfume.
e soubeste
Que graça
ser a filha do caiador
largada sem traço
como alguém que é amada se que lhe falem
como alguém que é ferida sem deixar traço
-sem o prazer da cicatriz.
E trouxeste
tua barriga às minhas mãos
no ar seco, dizendo
Eu sou a mulher do colhedor
de canela. Cheira.
andaria por tua cama.
E deixaria em teu travesseiro
o pó amarelo da casca.
E o odor em teus ombros, seios
te impediria de andar pela feira
sem que minha profissão de dedos
flutuasse sobre ti. Até os cegos
tropeçariam certos de a quem se dirigiam
mesmo que te banhasses
sob calhas, sob monções.
Aqui, acima da coxa
na paragem macia
junto a teu cabelo;
no vinco das tuas
costas. Este tornozelo.
Serás conhecida pelos outros como
a mulher do colhedor de canela.
Te olhar, só de soslaio
antes do casamento
e nunca te tocar
- tua mãe tem olfato apurado, teus irmãos são duros.
Mergulhei minhas mãos
em açafrão, as disfarcei
sobre alcatrão, e ajudei
os colhedores de mel.
Uma vez, nadando
pude te tocar sob a água
sem que nossos corpos se marcassem,
poderias me abraçar se mantendo cega ao cheiro.
- subiste ao seco dizendo
assim é como você toca às outras,
à mulher do meeiro. À filha do caiador.
E procuraste em teus braços
Pelo ausente perfume.
e soubeste
Que graça
ser a filha do caiador
largada sem traço
como alguém que é amada se que lhe falem
como alguém que é ferida sem deixar traço
-sem o prazer da cicatriz.
E trouxeste
tua barriga às minhas mãos
no ar seco, dizendo
Eu sou a mulher do colhedor
de canela. Cheira.
Friday, February 25, 2011
Soneto XIII, traduzido
Os olhos de minha dona com o sol não se parecem
O coral é bem mais vermelho do que os lábios dela
Se a neve é branca, bem seus peitos são begem
Se cabelos são arames, são arames sua cabeleira
Já vi rosas aveludadas, brancas e encarnadas
Mas não vejo rosas dessas em suas face
E há em alguns perfumes mais doçuras
Do que no ar que perto dela se respire
Amo ouvi-la falando, mas tenho que admitir
Que o som da música é bem mais belo
Nunca uma deusa pelos caminhos a se ir
Minha dona, quando anda, anda pelo chão
E apesar disso, juro, minha amada é mais rara
Do que seria qualquer comparação ignara
O coral é bem mais vermelho do que os lábios dela
Se a neve é branca, bem seus peitos são begem
Se cabelos são arames, são arames sua cabeleira
Já vi rosas aveludadas, brancas e encarnadas
Mas não vejo rosas dessas em suas face
E há em alguns perfumes mais doçuras
Do que no ar que perto dela se respire
Amo ouvi-la falando, mas tenho que admitir
Que o som da música é bem mais belo
Nunca uma deusa pelos caminhos a se ir
Minha dona, quando anda, anda pelo chão
E apesar disso, juro, minha amada é mais rara
Do que seria qualquer comparação ignara
Wednesday, February 23, 2011
Caixote
O branco vira azul vira verde
Vira o céu em mar
E eu, entediado de medos, me
Sinto quase afogar
O sal entra aonde não deveria entrar
Entra, invade, e
E eu sinto meu corpo me desobedecer
Girando impotente
Vira o céu em mar
E eu, entediado de medos, me
Sinto quase afogar
O sal entra aonde não deveria entrar
Entra, invade, e
E eu sinto meu corpo me desobedecer
Girando impotente
Thursday, February 17, 2011
Nós
Nós, o povo
Nós, que sangramos
Nós, que não temos balas
Nós, que temos fome.
Vós, os tiranos
Vós, que dais ordens
Vós, que não tendes remorsos
Vós, que tendes anéis.
Eles.
Que lêem, que torcem, que falam.
Muitos deles.
Os vossos deles, os nossos.
E os outros. Outros nós. Outros povo.
Que enfim poderão descobrir, pela fome ou pela fé.
Que ou se é povo ou tirano.
Nós, que sangramos
Nós, que não temos balas
Nós, que temos fome.
Vós, os tiranos
Vós, que dais ordens
Vós, que não tendes remorsos
Vós, que tendes anéis.
Eles.
Que lêem, que torcem, que falam.
Muitos deles.
Os vossos deles, os nossos.
E os outros. Outros nós. Outros povo.
Que enfim poderão descobrir, pela fome ou pela fé.
Que ou se é povo ou tirano.
Monday, February 14, 2011
Algas marinhas
Dizem que, certa vez, ou talvez nunca
ou talvez ou talvez ou talvez sempre
o mar amou às ondas e sua espuma branca.
E as ondas, em sua interminável enorme
e pura feroz frenética mutável confusão
grávidas do mar, foram ameaçadas de forma
E foi assim, cuco, que nasceste em forma
apenas um pouco melhor do que poderia ser
qualquer forma humana, que é da onda erma
Que vêm teus cabelos de algas marinhas,
que vem teu cheiro de sal, de iodo e saudade,
e tem humor assim mutável, e também minhas
Assim
tão sentidas
saudades
do teu murmurejar.
ou talvez ou talvez ou talvez sempre
o mar amou às ondas e sua espuma branca.
E as ondas, em sua interminável enorme
e pura feroz frenética mutável confusão
grávidas do mar, foram ameaçadas de forma
E foi assim, cuco, que nasceste em forma
apenas um pouco melhor do que poderia ser
qualquer forma humana, que é da onda erma
Que vêm teus cabelos de algas marinhas,
que vem teu cheiro de sal, de iodo e saudade,
e tem humor assim mutável, e também minhas
Assim
tão sentidas
saudades
do teu murmurejar.
Thursday, December 02, 2010
In the style of Sei Shõnagon
The jotting down of unsewn words
is unseemly.
Such words are like frayed thread.
Words, when written,
should be like the feet
of a well-drilled army
or dancers.
is unseemly.
Such words are like frayed thread.
Words, when written,
should be like the feet
of a well-drilled army
or dancers.
Wednesday, September 15, 2010
Ending of I
I share my heart with the world
My heart, my hurt
Notabang,awhimper. eversoquietly
Leaves black and brown and dying
Rock and concrete and iron crumbling
Entropy's illimitable dominion over all
Duly stamped, approved, and ordained
By the grey bureaucrats of time
Without a whiff of Poe or tragedy
The iron sky is a close, dull mirror
It too crumbling like all else. And
poetry stops making sense, and
And prose and life and love and
laughter at last. Quietly
Exeunt omn-
My heart, my hurt
Notabang,awhimper. eversoquietly
Leaves black and brown and dying
Rock and concrete and iron crumbling
Entropy's illimitable dominion over all
Duly stamped, approved, and ordained
By the grey bureaucrats of time
Without a whiff of Poe or tragedy
The iron sky is a close, dull mirror
It too crumbling like all else. And
poetry stops making sense, and
And prose and life and love and
laughter at last. Quietly
Exeunt omn-
Wednesday, August 04, 2010
Cantos da noite extrema
Perdi a vista, depois a fé e o
destino
Assim minha noite extrema é três noites.
*************
Al-Maari, poeta cego, ateu e anarquista que viveu no século X.
destino
Assim minha noite extrema é três noites.
*************
Al-Maari, poeta cego, ateu e anarquista que viveu no século X.
Tuesday, August 03, 2010
Camafeus
Não tenho mais sonhos,
que sonhos são coisas de gente moça
Hoje, faço outras coleções:
Frustrações, nostalgias, uma,
muito bonita,
de irritações.
Minha velha coleção de medos
cuidada com esmero
polida sempre que posso
guardo da juventude.
São caixas, muitas caixas
Não as largo por preguiça, um pouco
Por medo da saudade.
Não sei bem por que. Talvez seja ele também
- o desapego
coisa de gente moça.
que sonhos são coisas de gente moça
Hoje, faço outras coleções:
Frustrações, nostalgias, uma,
muito bonita,
de irritações.
Minha velha coleção de medos
cuidada com esmero
polida sempre que posso
guardo da juventude.
São caixas, muitas caixas
Não as largo por preguiça, um pouco
Por medo da saudade.
Não sei bem por que. Talvez seja ele também
- o desapego
coisa de gente moça.
Monday, August 02, 2010
In the shuttle, a great aluminium cylinder hurling us to Rio
In the higher planes of the air
Where only
Jet-stream is
Far above moisture,
life
and other irrelevancies
Companions to the sun
Canned like sardines
We are told what is important
The proper handling of masks
Where to take flight
And how to attach ourselves
Where only
Jet-stream is
Far above moisture,
life
and other irrelevancies
Companions to the sun
Canned like sardines
We are told what is important
The proper handling of masks
Where to take flight
And how to attach ourselves
Wednesday, June 02, 2010
Omphalos gaia
Você, que anda como uma gata
que nunca, jamais fica quieta
Que se mexe enquanto dorme e
às vezes mesmo quando parada
É entretanto a única solidez
Do mundo em que só vivo,
este
um caos
amorfo
vazio
terrível
E você, como se fosse sozinha outro mundo
De luz e de sombra na correta medida
De dureza e maciez perfeitas, enorme e
Minúscula, minha única, perfeita, exata
Deusa primordial - com passo de gata
que nunca, jamais fica quieta
Que se mexe enquanto dorme e
às vezes mesmo quando parada
É entretanto a única solidez
Do mundo em que só vivo,
este
um caos
amorfo
vazio
terrível
E você, como se fosse sozinha outro mundo
De luz e de sombra na correta medida
De dureza e maciez perfeitas, enorme e
Minúscula, minha única, perfeita, exata
Deusa primordial - com passo de gata
Tuesday, May 11, 2010
Na tua ausência
Na solidão da tua ausência
Todas as coisas parecem, mutáveis
Querer virar símbolos, caçoando
Do aleijamento que é tua falta
Na solidão da tua ausência
Ouço longe uma serenata tristonha;
vejo o desenho de tuas costas,
sinto tua cintura em minhas palmas
Ouço o grito de um camelô
Vendendo maquiagens mentiras velhas,
talvez verdades, e na mesma hora
traço com o dedo tuas sobrancelhas
O mundo se transfigura, passo a
titubeante passo. Vira você.
Uma você retalhada, explodida,
refletida de mil cacos de espelho
Na solidão da tua ausência,
Cada lembrança a cada passo
a cada gesto, a cada sopro,
é apenas lembrança, não Gabriela.
E em cada lembrança, cada sopro
em cada passo e cada gesto,
a solidão da tua ausência
é como nervo exposto.
Todas as coisas parecem, mutáveis
Querer virar símbolos, caçoando
Do aleijamento que é tua falta
Na solidão da tua ausência
Ouço longe uma serenata tristonha;
vejo o desenho de tuas costas,
sinto tua cintura em minhas palmas
Ouço o grito de um camelô
Vendendo maquiagens mentiras velhas,
talvez verdades, e na mesma hora
traço com o dedo tuas sobrancelhas
O mundo se transfigura, passo a
titubeante passo. Vira você.
Uma você retalhada, explodida,
refletida de mil cacos de espelho
Na solidão da tua ausência,
Cada lembrança a cada passo
a cada gesto, a cada sopro,
é apenas lembrança, não Gabriela.
E em cada lembrança, cada sopro
em cada passo e cada gesto,
a solidão da tua ausência
é como nervo exposto.
Wednesday, March 24, 2010
Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doura
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
(F. Pessoa)
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doura
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
(F. Pessoa)
Wednesday, March 10, 2010
As sem razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
-Carlos Drummond de Andrade
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
-Carlos Drummond de Andrade
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