Tuesday, July 17, 2012

Inverno

Era uma vez um homem que sentou-se, sozinho, a comer frango frio num dia cinzento, e viu em quinze minutos se passarem quinze décadas.

De onde vieram estes ossos
assim tão quebradiços
tão doloridos.
Frágeis como promessas?
De onde estes olhos mortiços
baços vazios tristonhos
tão tristonhos.
Que catam pêlos e manchas?

De onde essa tropa de medos
de gentes dores e bichos
de próprios e outros.
Que se atropelam e acoitam?

...e estas memórias vastas
fumarentas e imprecisas
de uma primavera imaginária?

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