Sunday, July 23, 2017

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Saturday, July 22, 2017

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Thursday, February 02, 2017

Remember me when I am gone

Remember me when I am gone away,
   Gone far away into the silent land;
   When you can no more hold me by the hand,
Nor I half turn to go yet turning stay.
Remember me when no more day by day
   You tell me of our future that you planned:
   Only remember me; you understand
It will be late to counsel then or pray.
Yet if you should forget me for a while
   And afterwards remember, do not grieve:
   For if the darkness and corruption leave
   A vestige of the thoughts that once I had,
Better by far you should forget and smile
   Than that you should remember and be sad.


- Christina Rossetti

Wednesday, January 11, 2017

Qu'est ce que les rois mages

Qu'est-ce que les Rois Mages
ont-ils pu apporter?
Un petit oiseau dans sa cage,
une énorme Clef

de leur lointain royaume, -
et le troisième du baume
que sa mère avait préparé
d'une étrange lavande

de chez eux.
Faut pas médire de si peu,
puisque ça a suffi à l'enfant
pour devenir Dieu.



-Rainer Maria Rilke




O que teriam trazido 
os reis magos?
Um passarinho em sua gaiola,
uma enorme Chave

de seu longínquo reino - 
e, o terceiro, um bálsamo
preparado por sua mãe
com uma estranha lavanda

que lá crescia. 
Não se diga que era pouco,
já que bastou para o menino
se tornar Deus.

Tuesday, November 29, 2016

The More Loving One

Looking up at the stars, I know quite well
That, for all they care, I can go to hell,
But on earth indifference is the least
We have to dread from man or beast. How should we like it were stars to burn
With a passion for us we could not return?
If equal affection cannot be,
Let the more loving one be me. Admirer as I think I am
Of stars that do not give a damn,
I cannot, now I see them, say
I missed one terribly all day. Were all stars to disappear or die,
I should learn to look at an empty sky
And feel its total dark sublime,
Though this might take me a little time.

-WH Auden


Olho para as estrelas, e sei bem
Que por elas, eu poderia me foder.
Mas na terra, a indiferença é sem
dúvida, de gente e bicho, pouco a temer.
Como nos sentiríamos se as estrelas por nós ardessem
Com uma paixão que não pudéssemos retribuir?
Se não pode se igualar a afeição,
que seja minha a maior paixão.
Admirador como sou (estou imaginando)
de estrelas que estão cagando,
agora que as vejo, não posso dizer
que, pelo dia, senti a saudade me roer.
Se morressem todas as estrelas, ou sumissem,
Eu aprenderia a olhar para um céu sem
estrelas, e achar sublime o céu de breu,
mas isso demoraria - acho eu.

Thursday, November 24, 2016

Approaches: Darkness

Equinoxially obtemperate
the Great Pumpkin arose.

Duck noises in the night
Ululating Heil Heil Quack

Scouring the world of reason
- that eternal, grumpy killjoy

Making it safe for oil, for
moneymaking and merriment

A white world without white ice -
oddly orange the figure at its prow

The Cunt-grabber in Chief, now
master of the dome of heaven

A red button, made of nightmares
hangs ever next to the Pumpkin

Approaches: darkness. For those
with dark skin, or cunts, or lives.

And it shall have illimitable dominion
(over what?

 aye, that's the rub) 

Wednesday, November 23, 2016

Stalingrado

Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas 
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora, 
e o hálito selvagem da liberdade 
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem, 
enquanto outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.
Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída, 
na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,
no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas, 
na tua fria vontade de resistir.

Saber que resistes.
Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.
Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página.
Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena.
Saber que vigias, Stalingrado,
sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos pensamentos distantes
dá um enorme alento à alma desesperada
e ao coração que duvida. 

Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandecente!
As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.
Débeis em face do teu pavoroso poder, 
mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não profanados,
as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta, 
aprendem contigo o gesto de fogo.
Também elas podem esperar.

Stalingrado, quantas esperanças!
Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!
Que felicidade brota de tuas casas!
De umas apenas resta a escada cheia de corpos; 
de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.
Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas fábricas, 
todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços negros de parede,
mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,
ó minha louca Stalingrado!

A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos,
apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,
caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,
sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?
Uma criatura que não quer morrer e combate, 
contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,
contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,
contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate, 
e vence.

As cidades podem vencer, Stalingrado!
Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga.
Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo.
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres, 
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.




- Carlos Drummond de Andrade