Thursday, September 13, 2007

Shaná tová!

O velho balança em frente ao muro
Suas tranças são de náilon e cobre
Balança como se fosse um metrônomo
Marcando nenhum tempo, mas a eternidade.

O muro é velho e sujo. Sujo de sangue,
de lágrimas, de esperanças e mágoas.
E ao lado do velho um soldado reza
Para não morrer sem ver sua Raquel

A lua entrou em jejum, mais uma vez
Para comemorar a criação do mundo
Não se vê, no muro, traço
dos rios de sangue dos cruzados

nem dos rios de lágrimas de 70.
Traço algum. A sujeira do muro santo
é invisível como toda santidade.

Ao contrário da arma do soldado.
Ao contrário da barba do velho.
Ao contrário da criança, que pega o velho pela mão

e sorri.

3 comments:

Amora said...

Are you a jew?

thuin said...

"I am of all faiths, after a fashion."

raph said...

muito muito bom :)