Como se fosse um poço, que me afoga...
Se abre tua boca, hipnótica, irresistível
A fumaça acre entre os lábios vermelhos
É mais deliciosa do que mil perfumes
Como se fossem rochedos contra os quais
Meu barco afundará sem que ninguém
del guarde o luto nem lhe recolha as velas
Vejo, busco - teus ombros firmes e pálidos
Como se em você houvesse outra geografia
Perigosa e irresistível, cheia de sereias
Que cantam para a ruína dos homens, que
Vão rindo, felizes, rumo a suas mortes.
Porcarias de minha lavra e pérolas da lavra alheia. Quando tem tradução, é minha a não ser quando indicado.
Thursday, October 09, 2008
Wednesday, October 08, 2008
Butô
No me gustan las imágenes!
Disse-me ela
Chapéu encobrindo o rosto
En las calles de Buenos Aires
Num filme noir chiaroscuro.
Gosto do que é físico,
De músculos que tremem de esforço
De ossos que às vezes se quebram
De gente que sua e se suja!
As imagens não me aquecem.
E por isso, claro menti: não foi
Em filme, película nem fumaça
Que ouvi sua declaração
De amor pelo que existe
De gosto pelo que é tocável.
Pois a Sandra Midori Kanazawa,
Bela morena
Que nada tem de argentina
Nem de heroína noir
No le gustan las imágenes.
Disse-me ela
Chapéu encobrindo o rosto
En las calles de Buenos Aires
Num filme noir chiaroscuro.
Gosto do que é físico,
De músculos que tremem de esforço
De ossos que às vezes se quebram
De gente que sua e se suja!
As imagens não me aquecem.
E por isso, claro menti: não foi
Em filme, película nem fumaça
Que ouvi sua declaração
De amor pelo que existe
De gosto pelo que é tocável.
Pois a Sandra Midori Kanazawa,
Bela morena
Que nada tem de argentina
Nem de heroína noir
No le gustan las imágenes.
Moko
Meus nunca foram os sonetos
Sempre me ri das velhas métricas
Em versos livres xinguei elogios
E joguei fora pentâmeros e rimas.
Mas teus olhos, teus lábios, fronte
Me proíbem sonhar com a liberdade
Então terá catorze linhas teu anel
Linhas rígidas evocando o doce mel
Que encontra bêbado quem te beija
De que lembro quando em você penso
Recebe então, de minha pobre boca
Este pobre poema, de linha tão rija.
Feito por alguém que já é tão sonso
Que fica louco só de olhar tua nuca
Sempre me ri das velhas métricas
Em versos livres xinguei elogios
E joguei fora pentâmeros e rimas.
Mas teus olhos, teus lábios, fronte
Me proíbem sonhar com a liberdade
Então terá catorze linhas teu anel
Linhas rígidas evocando o doce mel
Que encontra bêbado quem te beija
De que lembro quando em você penso
Recebe então, de minha pobre boca
Este pobre poema, de linha tão rija.
Feito por alguém que já é tão sonso
Que fica louco só de olhar tua nuca
Tuesday, October 07, 2008
O que assucedeu
Kalu, Kalu
Tira o verde desses óio de riba d'eu
Kalu, Kalu
Não se esqueça que você já me esqueceu
Kalu, Kalu
Esse olhar depois do que assucedeu
Com certeza só não tendo coração
Fazer tal judiação
Você tá mangando de eu
Kalu, Kalu
Tira o verde desses óio de riba d'eu
Kalu, Kalu
Não se esqueça que você já me esqueceu
Kalu, Kalu
Esse olhar depois do que assucedeu
Com certeza só não tendo coração
Fazer tal judiação
Você tá mangando de eu
Kalu, Kalu
Tira o verde desses óio de riba d'eu
Kalu, Kalu
Não se esqueça que você já me esqueceu
Kalu, Kalu
Esse olhar depois do que assucedeu
Com certeza só não tendo coração
Fazer tal judiação
Você tá mangando de eu
- Humberto Teixeira
Tira o verde desses óio de riba d'eu
Kalu, Kalu
Não se esqueça que você já me esqueceu
Kalu, Kalu
Esse olhar depois do que assucedeu
Com certeza só não tendo coração
Fazer tal judiação
Você tá mangando de eu
Kalu, Kalu
Tira o verde desses óio de riba d'eu
Kalu, Kalu
Não se esqueça que você já me esqueceu
Kalu, Kalu
Esse olhar depois do que assucedeu
Com certeza só não tendo coração
Fazer tal judiação
Você tá mangando de eu
Kalu, Kalu
Tira o verde desses óio de riba d'eu
Kalu, Kalu
Não se esqueça que você já me esqueceu
Kalu, Kalu
Esse olhar depois do que assucedeu
Com certeza só não tendo coração
Fazer tal judiação
Você tá mangando de eu
- Humberto Teixeira
Monday, September 08, 2008
Thursday, July 31, 2008
Besteira pernóstica I
Dez mil budas
Dez mil templos
Cem vezes cem igrejas
Incensos opiáceos subindo de mãos delicadas
Sombras e trevas, que acolhem ou assustam
Roupas brancas, ou rubras como as brasas
Signos obscuros - não se vê o que assinalam
Barbas brancas e pretas e grisalhas.
Chapéus pretos e rubros e dourados
Vozes sonoras e trêmulas e caladas
Espelhos do céu ou espetáculos bem terrenos?
Quenóticos e gnósticos, cismas e guerras santas
Guerras de flores, cruzadas, jihads, reconquistas
a santidade escorrendo das veias dos moribundos
Dez mil templos
Cem vezes cem igrejas
Incensos opiáceos subindo de mãos delicadas
Sombras e trevas, que acolhem ou assustam
Roupas brancas, ou rubras como as brasas
Signos obscuros - não se vê o que assinalam
Barbas brancas e pretas e grisalhas.
Chapéus pretos e rubros e dourados
Vozes sonoras e trêmulas e caladas
Espelhos do céu ou espetáculos bem terrenos?
Quenóticos e gnósticos, cismas e guerras santas
Guerras de flores, cruzadas, jihads, reconquistas
a santidade escorrendo das veias dos moribundos
Thursday, July 24, 2008
Monotropa Uniflora
Uma flor, como um fio de leite no escuro,
crescendo branca daquelas folhas mortas.
Seu nome, não deve a nenhum camponês
A nenhum índio, nenhum caçador, pastora
A ninguém que usasse as coisas que olha:
Eis que é demasiado rara. De uma raridade e
de um valor para além dos rubis e safiras.
Literalmente - porque nunca ela foi colhida
e paga, com preço vil, para adornar caríssima
serenatas apaixonadas de um néscio príncipe.
crescendo branca daquelas folhas mortas.
Seu nome, não deve a nenhum camponês
A nenhum índio, nenhum caçador, pastora
A ninguém que usasse as coisas que olha:
Eis que é demasiado rara. De uma raridade e
de um valor para além dos rubis e safiras.
Literalmente - porque nunca ela foi colhida
e paga, com preço vil, para adornar caríssima
serenatas apaixonadas de um néscio príncipe.
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